domingo, 21 de julho de 2013

Paz...


Sinto o Sol que me aconchega o rosto,
caminho devagar pisando a areia quente
Olho a imensidão do mar azul  que me relaxa
e me trás paz

Ouço o som das ondas e vejo a espuma branca
por elas gerada

Caminho lentamente sem pressas
encontro a paz que me invade, fecho os olhos
por um momento, ouço apenas aquele mar
e uma gaivota ou outra que por ali passam

Sensação duma natureza perfeita que nos ilumina
e alimenta, sinto a paz, a alegria deste momento
tão simples e tão maravilhoso....

e aqui, nesta combinação perfeita de elementos
duma natureza generosa, recupero a força para
voltar à realidade, uma vida de rotina e de
obrigações necessárias mas por vezes frustrantes.

Estou forte e feliz por poder usufruir deste prazer
único  e de passos firmes regresso prometendo
voltar !!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Porque não dizê-lo ???



Gosto de mim...
gosto da minha alegria
da minha forma de comunicar!
Gosto da sinceridade, da frontalidade
Gosto do carinho que sinto por aqueles que amo
Gosto de dar, de receber !
Tento reconhecer os meus defeitos
ser coerente ...

Gosto do diálogo, da discussão,
de aprender, de ensinar...

Gosto da forma como amo a vida
da entrega, da força,
até da minha fragilidade
sinto-a
conheço-me..
e todos os dias descubro novas coisas,
gosto de me conhecer, de me respeitar,

Sinto força, empenho, emoção...
gosto de enfrentar a realidade e
embarcar no sonho !

Gosto de ouvir o outro... sentir pelo outro
AJUDAR!

Gosto da minha energia, da cumplicidade, da partilha!

Detesto os oportunistas, os cinicos, os mentirosos,
os falsos , os invejosos !

Amo a franqueza a lealdade a risada !!

Sou assim...
gosto de mim !!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Vivências que não esqueço !

 
 
Tinha 5 anos, era morena, olhos castanhos , cabelos escuros... dormia profundamente quando de repente começou a ouvir ao longe as vozes dos seus pais a discutirem, acordou estremunhada e assustada. Já estava habituada àquelas discussões, mas ficava sempre aflita, o pai iria bater na mãe?  Olhou para o outro lado do quarto onde o seu irmão pequenino dormia sossegado...

As vozes iam aumentado de volume, a raiva estava patente nesses sons, o dinheiro era o tema que mais provocava discussões, embora muitos outros temas servissem de pretexto... às tantas. o pai (culpado na maior parte das vezes) ameaça a mãe num  tom austero e violento - Não aguento mais, não há dinheiro, que posso fazer? -  a menina apercebendo-se que ele vestia o casaco para sair... com o coração a bater rapidamente, levanta-se da cama , calça os chinelinhos e veste o robe macio em tons de verde e azul, que a mãe tinha feito para ela  e que tinha um toque confortável... agarra o mealheiro de lata com a imagem de Virgem Maria e do Menino, onde tilintavam as moedinhas...

Abre a porta do quarto e correndo pelo comprido corredor , precipita-se para a porta que ouvira fechar-se  e começa a gritar :- Paizinho, Paizinho !! -  aflita abre a porta da rua, desce as escadas com seus passinhos pequenos e apressados... o pai tinha parado na escada, ela sufocante , com as lágrimas a rolar-lhe pelas faces diz:- Paizinho não te vás embora eu dou-te o meu dinheiro todo, mas não te vás embora  !

O pai, parado, perplexo, agarrou na menina ao colo,  ela , com os seus bracinhos rodeou-lhe o pescoço e apertou-o com toda a força que tinha. No topo das escadas estava a mãe, que observava aquela cena ,  silenciosa, chorosa e sofrida. Chegados ao pé dela o pai coloca a menina no chão limpando-lhe os olhos e sorri. Levanta os olhos, sorri para a mãe, e erguendo-se beija-a, a menina está feliz , sabe que outras discussões virão mas aquela estava resolvida. Ao olhar para a porta que dava acesso ao corredor vê o seu mano a esfregar os olhos estremunhado que corre para ela , abraça-a e agarrando-se ao seu robe como fazia sempre que havia estas discussões, habitualmente, agarrava-se à roupa da mana e ficava no silêncio ou chorava de acordo com a reação da sua irmã.

A noite passou-se calma, mas a menina ia crescendo e era com esta  e outras experiências que a sua personalidade ia ganhando forma. Os pais demasiadamente envolvidos nos seus problemas, mal se apercebiam disso!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A experiência e o ... OBRIGADA!!




Naquele dia,  numa daquelas vezes inconscientes em que o que nos interessa é despacharmo-nos sem pensar onde devemos por os pés, caí, fiquei mal e claro, hospital...

Pela primeira vez me vi numa situação destas, já tinha partido uma perna, torcido um pé, mas uma destas era a primeira vez.

Parti uma vértebra e claro, perante este cenário tive de ficar internada.
Aprendi muito nesses dias, perante a nova experiência, cresci.

Vi a solidariedade, disponibilidade, profissionalismo, levados com bom humor e muita paciência, de jovens profissionais ( enfermeiros e  auxiliares ), muitas vezes perante situações muito complicadas  e salas de urgência com o dobro dos doentes, a maior parte deles velhotes e muitos deles dificeis.
Vi o que é fazer muito com muito pouco.
Vi a vaidade, prepotência e indiferença de médicos que se passeavam (a maior parte deles) com o seu estetóscopio no pescoço e as mãos nos bolsos.

Foram 4 dias vividos entre o que observava e o que sentia, num misto de postivo/negativo!

O meu querido marido sempre se organizou de forma a que me sentisse acompanhada e mais forte,
no dia dos meus anos organizou uma pequena festa (chamemos-lhe assim) , eu estava a aguardar pela hora da visita , ansiosamente como de costume, nesse dia estava angustiada, triste, chorosa e
desesperada... quando de repente vejo à minha frente, a minha mãesinha, os meus queridos filhos,
o meu irmão e o meu marido que, com um bolinho pequeno na mão com duas velas começou a cantar
os parabéns a voçê... naquele momento chorei e sorri, senti-me amada e mimada, beijei-os com carinho e muito amor e ansiei sair dali e voltar à minha casinha bem depressa.

Durante este precurso , sensível e com algumas fragilidades, tenho sentido o que é o amor, o companheirismo, a amizade, a preocupação, o apoio,tenho sido mimada e acarinhada pela minha querida familia e pelos meus amigos.

Ao meu marido, que se debate entre o emprego, a casa e eu,  quero expressar a minha gratidão, não por me apoiar porque sendo companheiros é essa a obrigação que temos, mas tenho que agradecer a forma como o faz,  tem sofrido em silêncio por me ver assim frágil, sabendo que eu sou dinâmica, alegre e determinada. Tem-me dado força nos momentos em que senti pânico, fobias e fragilidades. Nunca existe uma má vontade, uma reclamação, sempre bem disposto, preocupado, fazendo as coisas de forma a que eu não sinta o quanto está cansado!

Tu marido especial, companheiro, protector ,cumplice com quem partilho a minha vida, homem de valores que me apoias, ris com as minhas maluqueiras, criticas os excessos, para quem a minha opinião é fundamental, que me amas incondicionalmente assumindo na minha vida um papel principal,  tens defeitos como toda a gente (como eu ...) mas  é na nossa vivência, na entrega, no respeito que temos um pelo outro que vamos ultrapassando os piores momentos e como te dizia ontem à noite: -Temos uma história bonita e feliz !!!



Prometo que assim que estiver boa e realmente recuperada, vamos passar um fim de semana em qualquer sitio, porque para nós a vida é vivida intensamente em qualquer lugar em que estejamos,
o que eu posso desejar do fundo do coração é que assim continue por muitos anos e com muita saúde!

Passados quase dois meses desde o momento da queda, continuo sensivel, muito limitada nos movimentos, por causa do meu amigo colete, esperando recuperar na totalidade e fazendo por isso, sinto-me mais consciente, ainda mais rica, senti e sinto medos mas percorro o meu caminho com a convicção que voltarei  ao normal ainda mais rica do que era até aqui, mais forte, ainda com mais vontade de viver esta vida que tendo coisas menos boas tem imensas coisas maravilhosas !

sábado, 29 de setembro de 2012

Um dia daqueles...




Aqui onde estou
Não posso dormir
Os olhos pesam-me
Sem eu dar conta
Fico meia tonta
E muito mole
Sem energia
É noite ou é dia?
Quase não sei
De olhos semi- cerrados
Pretendo-os acordados
Mas, conseguirei ?


Olho sem ver
O ecran à minha frente
A mão segura a cara
E sem saber
quase ausente


Olhos a pestanejar
Desligo a mente
E começo a dormitar…


No canto …ela... colega atenta
Comenta:
-Teresa , estás a dormir?
Quase sem a ouvir
Começo a sorrir
E “ desperto” estremunhada
- A dormir ? qual nada !
Mas, não consigo disfarçar
Agora acordada
De piada pegada
Continuo a trabalhar

 
Divertidas trocamos piadas
Engraçadas
Para nos animar
Porque para meu espanto
Também ela
A confessar
Que lhe apetece dormir,
Nada ouvir
E deixar-se ir!!!

Pois é…
se aqui fosse possível
estaríamos as duas
ao melhor nível…
cochilando ,claro!!

domingo, 16 de setembro de 2012

CHIADO - aquele lugar !!

 
 
Um dia destes numa ida ao médico, voltei à minha antiga zona de trabalho,
entre a inscrição na Consulta e a Consulta, propriamente dita, tive um
pequeno “tempinho” para, numa corridita voltar à localização onde
a minha empresa esteve anos , e eu com ela durante 37 anos… O CHIADO!!
 

Agora que me encontro num ermo, sem vivalma senão
os meus queridos colegas, ( uns mais queridos que outros)…a
apreciação que faço daquele lugar é quase fascinante… os olhos arregalam-se
e o coração bate mais depressa.
 

Chamar àquela zona o coração de Lisboa é realmente justíssimo …
 

A luminosidade é única, o movimento, o comércio, as esplanadas, uma zona
emblemática plena de história e boas recordações.

Ali vi perseguições politicas
Ali assisti e vivi intensamente um 25 de abril de esperança.
Um Agosto quente com um incêndio de grandes proporções.
 

Ali vi filmes serem rodados na rua onde trabalhava, viajei no tempo
Vi cavalos, carruagens, pessoas trajadas de fatos compridos, com
Chapéus e grandes bigodes.

Vi Prostitutas de roupas mínimas que presas durante a noite, eram
obrigadas a pernoitar no governo civil e soltas logo pela manhã desgranhadas
de sapatos altíssimos  na mão desciam a rua a caminho das suas casas. 

Assisti a gravação de anúncios, uma vez lembro-me de abrir a porta e
ficar rodeada de corações de papel de múltiplas cores.

Secções fotográficas… marchas de políticos com os seus sorrisos hipócritas..
Gritos de protesto… Grupos de teatro a promoverem o trabalho… feiras do livro
Cantores anónimos de vozes cristalinas… cantores anónimos com vozes horríveis
Pedintes peculiares, atores , atrizes, escritores, o Saramago, a Susan Sarandon,
O John Malkovich, a loucura generalizada numa vinda a Lisboa do_David Hasselhoff,
da série " O Justiceiro" com o seu inteligente e super potente KIT ...
 

Até me lembro de um simpático policia sinaleiro, quando por ali o trânsito passava.
Vi fazer e desfazer obras… abrir e fechar lojas…
Fazia compras á hora de almoço, ia ver miradouros, igrejas!
Ia ao Bairro alto comprar tintas para os meus filhos, ver as lojas, as ruas
pequenas dum bairro povoado de histórias intensas e únicas…
 

Conheci gente, muita gente… simpática, afável, amiga e …dos outros também!
 

Foi uma experiência inesquecível, ali vivi muitos bons e maus momentos, ali
ficou grande parte da minha história, ali, andei grávida 2 veze e conheci o amor
da minha vida, amigas de coração, ali sorri e chorei…
 

Na minha rápida mas tão intensa visita ao Chiado entrei no local onde outrora
trabalhei, agora uma loja do pão… revi a minha “história”, falei animadamente
com a dona e saí feliz, sem angústias nem mágoa… porque a vida é assim,
continua!!! e eu com ela de mente aberta e recordações ao rubro… feliz por as
ter e por falar nelas.

De volta ao "ermo" aproveito os bons colegas para rir e construir novas histórias, eu
sei que nunca tão intensas e ricas, mas vivas e sempre com muita emoção, estar viva
VIVA na plenitude é aprender a viver em qualquer lugar com a emoção que só
o facto de o estar o pressupõe  
 

O Chiado… aquele lugar maravilhoso onde trabalhei, estará sempre no meu
Coração .!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

REALIDADE OU ILUSÃO


 
Um dia feliz, ilusão talvez…
outro dia realidade,
aquela realidade difícil
de quem se confronta
com aquilo que no dia feliz esquece…

Mas, não é a vida também feita de momentos felizes?
Quer-se futuro
Esperança
Concretização
Mas…
O fundamental é o quê?
ser feliz !
Difícil a vida...
Difícil definir o que realmente se quer…
Ou o que não se quer !

Fazem-se escolhas
Certas e erradas
Planeia-se...
Desiste-se...
Luta-se...
opta-se...
Um dia de “peito feito”
Outro de costas arqueadas

É assim a vida
Um presente maravilhoso
Difícil por vezes
Mas que vale sempre a pena !
E os momentos felizes
Esses
São inconfundíveis…
Ilusão ou realidade
o que interessa  na verdade?